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Champagne – Breve história sobre a Taça Coupe

A “VERDADEIRA VERDADE”

Afortunadamente já podemos concordar que beber borbulhas já começa a ser tão habitual e normal como desfrutar de qualquer outro vinho tranquilo.

O espumante é mais do que uma bebida refrescante para altas temperaturas, deixou de ser exclusivo para momentos de festas e vai muito além de harmonizar com sobremesa, por isso, apesar do nosso paladar estar cada vez mais em contato com esse perfil de vinho, é interessante lembrar algumas de suas histórias e desenvolver nosso SABER BEBER sobre o Mundo dos Vinhos.

Falar em borbulhas é lembrar de Champagne, em seus mais diversos nomes, como; champanhe, champán, xampany, champaña. Todos nos remetem a este vinho originário da região de mesmo nome, na França, que é um dos maiores símbolos de glamour da história.

Sabe aquela frase: “Quem foi rei, nunca perde a majestade”. Falando de pessoas, seria aquela que tem uma dignidade autêntica, quem sempre esmera nas suas condutas. Se falarmos de vinhos, a comparação sem dúvida será um Champagne.

Por suas qualidades esse vinho espumante teve um lugar privilegiado nas mesas dos palácios de toda Europa, um marketing perfeito desde a época de Dom Pérignon. Essa divulgação também foi o forte da viúva mais famosa que conhecemos por aqui, que levou o nome do Clicquot-Ponsardim para o mundo.

E não só isso, a Veuve Clicquot descobriu o maior detalhe do Método Champenoise, que é a remuage (o método de remover os depósitos de leveduras mortas durante a espumatização), e inclusive escondeu esse segredo até 1821. Após, com os vinhateiros sabendo essa técnica, a elaboração de Champagne virou uma indústria.

E foi com a Revolução Industrial que ele deixou de ser um luxo exclusivo da aristocracia e chegou ao consumo da classe média. Numa época em que o mundo mudou rapidamente (como hoje), em 1828 o Champagne já era considerado uma bebida das massas e com um sabor bem diferente do que conhecemos hoje, pois, entre 1840 e 1850 referidos vinhos eram todos carregados de dulçor.

No meio dessa história toda que surge a TAÇA COUPE, que foi criada por volta de 1840 (apesar das “relações públicas” espalharem os mitos dos seios de rainhas e amantes de reis como a fonte de criação dessa taça), e surge, justamente, porque o gosto do Champagne estava mais para um “frappê”, um verdadeiro doce de sobremesa, que também eram servido nesse estilo de taça.

O fato é que além da sua característica borbulha, o Champagne era consumido muito frio – quase gelado – e era muito doce, o que permitia que fosse mais comparado a um sorvete que um vinho “tradicional”. Apenas em 1849 que ocorreu o descobrimento do Champagne seco e, foi a partir da evolução da forma de elaboração, com a possibilidade de dosar a quantidade de açúcar (com licor de expedição para graduar o dulçor) que o Mundo dos Vinhos começou a provar suas borbulhas como são feitas hoje.

E assim tudo mudou, pois com menos açúcar passou a ser acompanhamento das mais diversas refeições, e quando falamos de Vinho + Comida você já sabe? O mundo das harmonizações ganhou um ótimo aliado!

O mais interessante, desde 1894 já era considerado um vinho perfeito para acompanhar qualquer comida, não apenas as sobremesas, como acontecia na época da Sra Clicquot.

De lá para cá muita coisa mudou, mas as histórias do Champagne seguem para nos adoçar a alma de cultura dos vinhos. Dentre as mais famosas, temos as lendas de deuses, donzelas, reis, rainha e amantes reais que reivindicam seus modelos de seios para justificar o formato dessa taça. 

As taças evoluem através dos tempos para atender nossa necessidade pelo SABER, facilitando o nosso momento de desfrutar os vinhos.

E, sobre o formato da TAÇA COUPE, uma coisa é certa, você pode ler um relato dos tempos das primeiras civilizações, ver um quadro da época medieval ou um filme de bárbaros na Netflix que logo chega a conclusão de que é exatamente o mesmo das de barro, cobre, pedra e metais preciosos daquelas épocas.

Parecida com o cálice do Papa, lembra? É isso que estou falando! Os cálices sagrados da Igreja e os profanos dos bacanais tinham o mesmo designe retô da taça Coupe. E sobre a tal história de ter sido moldada do seio feminino, não é de hoje que existe esse burburinho. 

A sensualidade feminina sempre foi motivo de inspiração e arte, desde quando os deuses do Olimpo degustavam sua bebida divina se falava que Apolo cunhava as taças com os seios da mulheres mais belas. Por conseguinte, rolou um “ctrl C” + “ctrl V” no Mundo dos vinhos.

As breves histórias são:

a rainha francesa Maria Antonieta ordenou a confecção de taças de porcelana no formato do seu seio, para seus súditos beberem a sua honra.
pode ter sido também uma homenagem do Rei Luís XV, que encomendou o molde do seio de sua amante Madame de Pompadour. 
tem quem fale que se trata do molde do seio da esposa de Napoleão, Josefina
na lista ainda tem o seio da amante do rei Henrique II, a Diane de Poitiers.
Eu prefiro acreditar na mais original, que é a história de Apolo, que encomendou a Paris uma taça em honra de Helena de Troia, moldada em seu busto. Pelo menos, em se tratando de linha do tempo e veracidade, acho que é a que mais se aproxima a uma autêntica lenda dos vinhos.

Independente das mais curiosas formas de medir a capacidade de um recipiente de vinho, sem duvida os “seios modelos” foram os mais interessantes, e as que perpetuaram no tempo a lembrança da Taça Coupe, foram as histórias de Maria Antonieta ou Madame Poupadour.

Seja como for, a taça Maria Antonieta é símbolo de elegância e fica linda em qualquer foto de Instagram, mas isso não a torna a melhor opção na hora de provar vinhos, pois tem uma borda muito aberta e não nos ajuda em nada nas provas de espumantes (não retém aromas e libera rápido as borbulhas). Para mim, o pior são as borbulhas pulando no nariz na hora de sentir os aromas (nada glamouroso para uma Sommeliére).  

Por isso na linha de evolução das taças de Champagne temos a Flute e a Tulipa, que são mais adequadas para nosso consumo, sendo que o perfil dos vinhos espumantes atuais pede mais a taça Tulipa, por ter uma câmara olfativa adequada para reconhecer aromas e sabores. E no caso de dúvida, temos sempre a taça de vinho branco que também nos possibilita apreciar esse mundo das borbulhas. 

Espero que tenha gostado de saber as mais diversas histórias aqui contadas, acredito que muitas aconteceram e, outras tantas, posso até questionar sua veracidade, mas nunca duvidarei que já são parte integrante da realidade do Mundo das Borbulhas, afinal, quem seu eu para questionar as glamurosas lendas sobre a Taça Coupe, que agregam tanto ao nosso SABER BEBER, e isso, por sí, já as tornam uma “verdadeira verdade”.

Meu objetivo é que seu momento com a taça na mão seja mais do que um consumo habitual de vinhos, que seja uma viagem sobre as várias histórias dessa bebida tão peculiar.

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Sou sommelière, com formação superior da Universidade Abat Oliva, cursado na ESHOB de Barcelona, na Espanha.

Sou profissional e provadora de vinhos, por paixão!

FONTE: História del Vino, Hugh Johnson

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