O que é Mindfulwine? Como desacelerar antes do primeiro gole transforma sua experiência com o vinho

O que é Mindfulwine? Como desacelerar antes do primeiro gole transforma sua experiência com o vinho

Se alguém tivesse me falado sobre mindfulness há quinze anos, provavelmente eu teria respondido que não tinha tempo para isso.

E não teria sido uma desculpa.

Eu realmente não tinha.

Naquela época, minha vida era medida por audiências, prazos e deslocamentos. Eu passava de fórum em fórum durante a semana, correndo entre compromissos que pareciam nunca terminar. Quando o expediente acabava, ainda havia clientes para atender, processos para revisar e reuniões para organizar. A sensação era de que o dia sempre precisava de algumas horas a mais para caber tudo o que eu considerava importante.

E o curioso é que eu gostava daquela vida.

Ou pelo menos acreditava gostar.

Hoje me pergunto se realmente gostava da correria ou se apenas havia me acostumado a ela. Existe uma diferença importante entre estar feliz e estar ocupado, mas durante muito tempo confundi as duas coisas.

Os finais de semana seguiam a mesma lógica. Festas, eventos, encontros e uma agenda social tão preenchida quanto a profissional. Sempre havia alguém para encontrar, algum lugar para estar ou alguma história acontecendo. Olhando para trás, percebo que vivia cercada de pessoas, mas raramente acompanhada por mim mesma.

Foi justamente essa percepção que começou a mudar quando me mudei para Barcelona.

Na época imaginei que a grande transformação seria cultural. Um novo país, um novo idioma, uma nova forma de viver. Tudo isso aconteceu, mas hoje entendo que a mudança mais profunda não aconteceu no mapa.

Aconteceu no relógio.

De repente, a vida parecia seguir outro compasso. Eu convivia basicamente com meu marido e alguns poucos amigos que foram surgindo ao longo do caminho. Pessoas dos cursos que fazia, do coworking e das circunstâncias naturais da vida. E foi nesse período que comecei a observar algo que me intrigava profundamente: as pessoas pareciam ter tempo.

Tempo para almoçar sem olhar o celular.

Tempo para caminhar sem destino.

Tempo para conversar sem a ansiedade de quem já está pensando no próximo compromisso.

Aquilo me causava um estranhamento difícil de explicar. Eu vinha de uma cultura em que estar ocupado era quase uma medalha. Quanto mais cheia a agenda, mais produtiva a pessoa parecia ser. Quanto mais compromissos acumulava, mais importante acreditava ser.

Mas aquelas pessoas também trabalhavam. Também tinham responsabilidades. Também tinham problemas.

A diferença era que não pareciam viver permanentemente correndo.

Foi então que comecei a questionar algo que nunca havia colocado em dúvida: será que o problema era realmente a falta de tempo ou seria o ritmo em que eu havia aprendido a viver?

Essa pergunta me acompanhou durante anos.

Somente depois de quase seis anos morando na Europa resolvi aprofundar esse interesse e fazer uma formação em Mindfulness pela Escuela de Desarrollo Transpersonal, na Espanha. Foi uma experiência curiosa porque não tive a sensação de estar aprendendo algo completamente novo. Parecia mais que eu estava encontrando uma linguagem para explicar algo que já vinha acontecendo dentro de mim há muito tempo.

O que é Mindfulness?

Mindfulness significa atenção plena ao momento presente. Apesar das origens ligadas à tradição meditativa budista, a prática não tem nada de místico. Trata-se simplesmente de observar com mais consciência aquilo que acontece dentro e fora de nós. Parece simples quando escrito em uma frase, mas basta tentar passar alguns minutos totalmente presente para perceber o tamanho do desafio.

Foi justamente aí que comecei a entender que presença não é um exercício reservado para os momentos formais de meditação.

Ela pode acontecer durante uma conversa.

Durante uma caminhada.

Durante uma refeição.

E foi em torno da mesa que percebi isso com mais clareza.

Com o passar dos anos, meu marido e eu criamos o hábito de fazer almoços longos aos domingos. Não aqueles almoços apressados que existem apenas para cumprir uma necessidade. Estou falando daqueles momentos em que cozinhar já faz parte da experiência, em que a conversa começa antes mesmo da comida ficar pronta e continua muito depois de a mesa ter sido recolhida.

Foi nesse ritual simples que percebi algo curioso.

O prazer daquele encontro não estava apenas na comida.

Nem apenas no vinho.

Ele começa muito antes.

Começa quando pensamos no que vamos cozinhar, quando escolhemos a garrafa que parece combinar com aquele domingo e até nas conversas que surgem enquanto a refeição está sendo preparada. Às vezes lembramos de uma viagem, de um vinho que nos marcou ou de alguma história ligada àquele rótulo. Outras vezes, apenas arrumamos a mesa sem pressa e deixamos que o momento aconteça. E talvez seja justamente aí que a experiência começa: quando damos espaço para ela existir.

Foi então que me peguei fazendo uma pergunta que até hoje considero interessante:

O mindfulness havia entrado no vinho ou o vinho havia encontrado seu lugar dentro da minha prática de mindfulness?

Talvez a resposta seja as duas coisas.

O que sei é que passei a perceber algo que antes me escapava. A presença não estava apenas na taça. Ela estava na escolha, na comida, no ambiente, na companhia e na atenção dedicada à experiência como um todo.

Foi desse encontro que nasceu o conceito de Mindfulwine.

O que é Mindfulwine?

Muitas pessoas imaginam que a experiência do vinho está ligada apenas ao que acontece dentro da taça. Aromas, sabores, técnicas de degustação e conhecimento sobre regiões produtoras.

Tudo isso tem seu valor.

Mas o Mindfulwine nasce de uma pergunta diferente.

O que acontece quando usamos o vinho como uma ferramenta para desenvolver presença?

A maioria das pessoas acredita que a experiência começa quando o vinho toca a boca. Eu passei a enxergá-la de outra forma. Para mim, ela começa muito antes. Começa quando escolhemos a garrafa, quando pensamos na ocasião, quando observamos quem está à mesa e quando decidimos desacelerar o suficiente para perceber aquilo que normalmente passaria despercebido.

O curioso é que, quando fazemos isso, não aprendemos apenas sobre vinho.

Aprendemos sobre nós mesmos.

Percebemos hábitos.

Preferências.

Impulsos.

Padrões de comportamento.

E principalmente a forma como escolhemos viver nossos momentos.

Talvez por isso eu diga aos meus alunos que o vinho raramente fala apenas sobre vinho.

Na maioria das vezes ele fala sobre pessoas.

O que o Mindfulwine me ensinou

Ao longo dos anos essa prática me trouxe algo que considero muito mais valioso do que um paladar refinado.

Ela me trouxe critério.

Critério para escolher.

Critério para ouvir.

Critério para decidir.

Critério para perceber aquilo que realmente merece minha atenção.

Vivemos em uma época de excesso. Excesso de informação, de estímulos, de opiniões e de distrações. Nesse contexto, aprender a prestar atenção se tornou uma habilidade rara.

Talvez seja justamente por isso que o Mindfulwine faça tanto sentido para mim.

Ele nunca foi sobre beber devagar.

Ele sempre foi sobre viver com mais consciência.

Um convite

Hoje o Mindfulwine está presente em tudo o que desenvolvo dentro do ecossistema Vinho, Saber Beber.

Se você deseja experimentar essa prática de forma leve e contínua, o Clube do Vinho Saber Beber é o espaço onde trabalhamos mensalmente presença, percepção e conversas que vão muito além da técnica. Cada encontro inclui experiências de Mindfulwine aplicadas à vida real, à mesa e às escolhas que fazemos todos os dias.

Se busca uma transformação mais profunda, a mentoria O Código do Vinho foi criada para pessoas que desejam desenvolver critério, inteligência social, posicionamento e confiança através da relação consciente com o vinho. É um processo de desenvolvimento pessoal onde a taça se torna apenas o ponto de partida.

E se este artigo despertou sua curiosidade, convido você a explorar o universo do Vinho, Saber Beber e descobrir seu Perfil de Provador.

Talvez a mudança não aconteça quando você toma o primeiro gole.

Talvez ela comece no momento em que decide desacelerar o suficiente para perceber que a vida está acontecendo agora.

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