Platão conta que havia homens acorrentados dentro de uma caverna desde a infância.
Imóveis. Olhando apenas para a parede à frente.
Tudo o que viam eram sombras projetadas por objetos que passavam atrás deles, iluminados por uma fogueira. Como nunca tinham visto outra coisa, acreditavam que aquelas sombras eram a realidade.
Agora, sejamos honestos:
troque a fogueira por rankings, redes sociais e frases prontas sobre vinho —
e a caverna de Platão se torna espantosamente contemporânea.
As sombras do vinho moderno
Na caverna do vinho, as sombras têm nomes familiares:
“Esse é bom porque todo mundo fala.”
“Esse ganhou prêmio.”
“Esse é caro, então deve ser bom.”
“Esse é leve para acompanhar.”
“Esse é encorpado, sofisticado.”
Sombras confortáveis. Repetíveis. Socialmente seguras.
Quem vive ali não mente — apenas repete.
E repetir dá uma falsa sensação de pertencimento.
Platão chamaria isso de experiência sensível: barulhenta, confusa, pouco confiável.
Eu chamo de ENOSOMBRA.
O ENOSOMBRA não é ignorante — apenas ainda não virou o pescoço
O ENOSOMBRA não erra por má intenção.
Ele apenas nunca parou para observar.
Nunca sentiu o vinho no corpo com atenção real.
Nunca questionou se aquilo que repete faz sentido para ele.
Nunca percebeu que informação não é experiência.
No mundo do vinho, fala-se muito.
Sente-se pouco.
E quanto mais se fala sem sentir, mais distante se fica do que realmente importa:
critério próprio, presença autêntica e prazer consciente.
Quando alguém sai da caverna (e o vinho muda de função)
Platão diz que, quando um dos prisioneiros se liberta e sai da caverna, a luz do sol dói.
A visão confunde.
Nada faz sentido no início.
Sair da caverna do vinho é assim.
No começo, você percebe que:
- Repetia opiniões alheias como se fossem suas
- Confundia repertório com jargão decorado
- Acreditava saber mais do que realmente sentia
Mas, pouco a pouco, algo muda.
Você começa a sentir.
Depois, a observar.
E só então, a falar.
É aqui que nasce o Enointeligente.
Quem é o Enointeligente no mundo do vinho (e na vida)
O Enointeligente não é o que impressiona.
É o que conecta.
Ele:
- Faz perguntas melhores do que discursos longos
- Entende contexto antes de escolher (o vinho, a conversa, o momento)
- Fala de experiências, não de rótulos
- Usa o vinho como linguagem — social, sensorial, emocional
O vinho deixa de ser ornamento.
Vira ponte para conversas com conteúdo, momentos com memória, presença com propósito.
Depois de anos atuando como advogada no mundo corporativo, sommelier formada na Europa e facilitadora de processos de presença, aprendi algo simples:
quem sabe beber bem, sabe se posicionar melhor — na mesa e na vida.
O desconforto de não voltar à caverna
Platão também conta que, ao voltar para contar o que viu, o prisioneiro é ridicularizado.
Ninguém acredita.
Alguns zombam.
No vinho — e nas relações — acontece o mesmo.
Quando você sai da repetição:
- Fala menos (mas o que fala, ressoa)
- Escolhe melhor (por critério, não por moda)
- Escuta mais (porque agora sabe que a sabedoria nem sempre vem da sua boca)
Isso incomoda quem ainda vive de sombra.
Mas sair da caverna não é sobre convencer ninguém.
É sobre não voltar a se acorrentar.
Felicidade, vinho e escolha consciente
Platão acreditava que a felicidade estava ligada à harmonia e ao domínio do desejo.
Epicuro, depois, diria algo ainda mais direto: qualidade importa mais que quantidade.
No vinho — e no bem-estar — felicidade não está no excesso.
Está na escolha consciente.
Em saber quando abrir uma garrafa.
Com quem.
Por quê.
Em transformar prazer em ritual significativo, não em fuga automática.
Um parêntese necessário (com ironia controlada)
Essa é a comparativa poética que faço entre o que Platão escreveu e o que observo — e pratico — no mundo dos vinhos.
Agora, se formos para o popular, o vulgar, o trivial…
caímos naquele jeito ENOCHATO de ser.
E esse, meu amigo provador de vinhos, se você me acompanha por aqui, consome meus conteúdos e reflete sobre eles, tenho certeza:
você está longe disso.
Não precisamos perder tempo com o que não agrega.
Com o que não perfuma.
Com o que não toca.
Para seguir a vida — com mais presença, menos sombra
Vamos focar no que nos faz bem.
No que cria memória.
No que exala perfume.
Como lembra O Pequeno Príncipe:
“É o tempo que você desperdiçou com a sua rosa que a torna tão importante.”
O que não perfuma, não toca.
E não precisa nos ocupar.
Quer saber se você já saiu da caverna do vinho?
Se esse texto fez sentido — se você se reconheceu em algum lugar entre a Enosombra e o Enointeligente — talvez a pergunta não seja quanto você sabe sobre vinho.
Mas sim como você se relaciona com ele.
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Porque o vinho é a lente.
Você é o foco.

