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Vinho dos Mortos – Conheça a história deste vinho português

O vinho dos mortos pode até assustar quando se ouve (ou lê) pela primeira vez, mas trata-se de um dos maiores tesouros do mundo vínico português. Um verdadeiro tesouro enterrado que traz consigo uma herança ancestral, uma experiência única e inesquecível para quem pode prova-lo.

Antes de tudo, vamos esclarecer algumas coisas: O vinho dos mortos não traz nenhum mau agouro ou qualquer tipo de ritual peculiar em sua produção. O que traz é um sabor e um aroma carregados de história, radicados na região de Boticas e Granja, dois vilarejos especiais para a produção deste vinho português único.

A história deste vinho único

O ano era 1807 e Napoleão Bonaparte ordena a invasão de Portugal pelas tropas francesas. Na pressa de salvarem a própria pele e alguns de seus bens mais valiosos, os portugueses enterraram algumas de suas posses mais preciosas.

O vinho, que era (e até hoje é) um alimento na Europa, não poderia ser esquecido, não é mesmo? Essas garrafas foram escondidas em cavernas subterrâneas sob as vinhas, adegas e lagares.  Esta prática foi comum, principalmente, na província de Trás-o- Montes.

Fermentado na terra

A colheita e a vinificação foram rápidas para terem empo de  dar no pé! Mas como todo carnaval tem seu fim, felizmente toda guerra também! Quando os franceses foram embora da Terrinha, estes vinhos puderam ser escavados e, desenterradas com eles, duas surpresas: Os vinhos, feitos às pressas e enterrados sem gás, tornaram-se vinhos gaseificados. E o melhor: O sabor tinha se tornado ainda melhor. Isto deu a ele características únicas em relação a vinhos portugueses mais tradicionais.

E por que isso aconteceu? A região de Boticas e Granja tem uma peculiaridade climática: No inverno faz muito frio e quando esquenta, esquenta mesmo! Isso fez com o que o vinho fermentasse debaixo da terra e lhe garantindo essas novas propriedades. Em Trás-os-Montes, o vinho se tornou uma parte importante da identidade cultural daquele povo. Foi por isso que degustamos lá o nosso vinho dos mortos!

Produção do vinho dos mortos

Como tudo que é especial tem suas excentricidades, com o vinho dos mortos não poderia ser diferente. O processo é longo, começa o mês de novembro e a colheita em outubro do ano seguinte, quando chega a hora de pisar as uvas. Depois disso, o vinho fica por seis meses no lagar em barricas para fermentar. Só então, passa pelo processo de certificação e é engarrafado.

É hora do grande segredo: Logo após ser engarrafado, o vinho é enterrado e coberto em cascalho e por lá repousa por, pelo menos seis meses. O produto final pode ser adquirido em algumas lojas de Portugal ou no site do produtos e a produção anual é de 6 mil garrafas.

Sabor

Quer saber como os locais definem o sabor? É só ouvir o que diz um dos produtores, Olivardo Saqui, que fundou  a Quinta do Olivardo, uma das adegas produtoras, com mais de 8 mil hectares. Para ele, o vinho “torna a vida cheia de alegria”.

E a minha opinião? É um vinho não muito forte e clarinho, com a acidez bem marcada e não se nota muito a presença do carbônico. Acima de tudo, este vinho é uma história viva, o que o torna muito especial. No final, não precisa se assustar com o nome. As únicas coisas sobrenaturais sobre o vinho dos mortos são sua história incrível e seu sabor.

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